Discursos

02/02/2019

DISCURSO PROFERIDO NA COLAÇÃO DE GRAU FB UNI 2018.2

Prof. Tales de Sá Cavalcante (Reitor do Centro Universitário Farias Brito e Diretor Superintendente da Organização Educacional Farias Brito)

Prezada professora Fernanda Denardin, diretora do Centro Universitário Farias Brito, em nome de quem saúdo todos os participantes da mesa; 

Autoridades presentes; 

Colaboradoras e colaboradores do Centro Universitário Farias Brito; 

Bacharelas e bacharéis; 

Senhoras e senhores; 

Boa noite.

Na presente ocasião, vivenciamos um dos mais importantes momentos das vidas destas graduadas e destes graduados.

São por demais justas as homenagens recebidas por esses jovens nesta noite. Entretanto, peço-lhes vênia para dividir as honras de hoje com outras pessoas. Elas também as merecem.

Refiro-me, inicialmente, às suas mães e aos seus pais. De igual modo, merecem felicitações avós, avôs, irmãs, irmãos, madrinhas, padrinhos, cônjuges, namoradas, namorados, noivas, noivos, amigas e amigos.

Igualmente, homenageamos diretora, psicóloga, coordenadores e colaboradores de nossa Instituição. Merecem, também, justa homenagem os professores que os conduziram até aqui, desde o Ensino Infantil até a Graduação, em especial os mestres do Grau Superior, no FB UNI, que foram escolhidos sob a óptica da excelência. Por isso vocês concluíram seus cursos brilhantemente, continuarão a brilhar e fixarão em suas memórias os méritos de seus mestres.

Estamos todos num momento por demais feliz, motivados por esta memorável solenidade de Graduação. No entanto, não podemos nos furtar de que uma grande e, infelizmente, triste emoção nos invade.

Essa simultaneidade de alegria e tristeza nos é apresentada pelo nosso patrono, Raimundo de Farias Brito, em trecho de um de seus melhores escritos, intitulado “A intensa dor da felicidade suprema” (“O momento mais feliz de minha vida”). Assim o disse: 

“De certo tenho tido os meus momentos felizes. Todos os têm, ainda os mais desgraçados. Mas esses momentos são rápidos e passam quase sem deixar lembrança. São como leves murmúrios numa sinfonia em que predominam as notas fortes e ásperas. E o prazer e a dor em geral se misturam nas nossas sensações como o ‘oxigênio e o azoto no ar que respiramos, como a água e o álcool no vinho que bebemos’.”

A felicidade proporcionada por esse objetivo alcançado ocorre na primeira solenidade de Colação de Grau em que o mestre dos mestres, Genuino Sales, que tantas lições nos ensinou, não mais está entre nós. É, portanto, um exemplo de que alegria e tristeza caminham juntas.

Por isso, transmitir-lhes-ei algumas lições imortais deixadas pelo igualmente imortal membro da Academia Cearense de Letras Genuino Sales, considerado pelo grande médico doutor João Martins o melhor professor entre todos por ele já vistos. Segundo Martins, “Genuino, quando ensinava, educava, e, quando educava, ensinava”.

Entre suas reflexões e frases lapidares, Genuino nos asseverou: “Ousei tornar-me professor do Ensino Médio, porque amo a educação da juventude – meu maior ideal – minha induvidosa vocação.”

Essa genuína frase de Genuino proporciona a lembrança de minha mãe, Hildete Brasil de Sá Cavalcante, ex-diretora do Farias Brito, que se achava sempre mais jovem por se relacionar constantemente com seus alunos.

Diletas e diletos bacharelas e bacharéis.

Esta é a noite da confirmação de uma escolha, que deverá ser o seu maior ideal. É a constatação da vocação de cada um de vocês. E, para que isso aconteça, vocês serão os primeiros a acreditar, a ter uma atitude positiva diante da vida.

A filosofia oriental Ikigai explica a longevidade dos moradores de Okinawa, cidade japonesa com uma das maiores populações centenárias do planeta e as menores taxas de doenças crônicas.

Adotar o Ikigai significa ter um objetivo, fazer o que ama, ter um dom e saber usar esse dom, fazer o bem aos outros e se sentir bem ao fazê-lo, ter um propósito de vida. O Ikigai, traduzido para a língua portuguesa como “razão de viver”, pode ser obtido ao seguir Genuino quando disse: “O pessimismo não constrói.”

Em convívio com vocês, os que fazem o FB UNI objetivaram não apenas lhes fornecer diplomas, senão a preparação para essa razão de viver, elevando-os ao nível dos melhores profissionais.

Hoje, as mulheres conquistam cada vez mais as lideranças em seus lares e seus labores, principalmente porque os sucessos vêm por meio de construções coletivas, fruto da boa convivência e dedicação entre familiares e profissionais. O evoluir dos tempos está a nos mostrar que Genuino estava certo quando nos ensinava: “Uma coisa é o que eu faço, outra coisa é o que nós fazemos.”

Nada adiantará serem vocês grandes profissionais, com preciosos títulos, se não exercerem a cidadania a priorizar suas ações pelos valores éticos e morais, principalmente num país tão carente desses atributos, como o nosso Brasil. O exercício da profissão é inerente à valorização da condição humana, conforme esta reflexão de Genuino: “(No sertão) aprendi a soletrar o mundo para a leitura da vida. Que a riqueza é um meio para dignificar o homem e nunca um fim para escravizá-lo.”

Nobres graduadas e graduados.

Não esqueçam que o maior capital existente é o humano. O que me faz lembrar de uma pequena carta que escrevi a Genuino Sales por ocasião de uma reformulação societária do Farias Brito.

Peço-lhes licença para lê-la:

“Caro Genuino, nos últimos dias, o nosso Farias Brito passa por algumas benéficas transformações. Vivenciei demoradas negociações causadoras de inúmeras preocupações. Só agora, você e outros colaboradores encontraram explicações para a minha aparência, algumas vezes cansada e tensa.

Hoje, já definidas as mudanças, muitos pensam que minhas preocupações eram somente devidas ao aspecto monetário. Realmente, muito patrimônio estava em jogo. Eu não sabia quais escolas pertenceriam ao bloco formado por mim e meus irmãos Hilda, Dayse e João. Um dia, eu achava que ficaríamos trabalhando em determinadas escolas. Noutro dia, os ventos indicavam nosso futuro em outros colégios da Organização Educacional Farias Brito.

Você conhece bem a autenticidade do meu discurso sobre a importância do humano para uma empresa e para a minha pessoa. A meu juízo, o que estava em jogo era não apenas o patrimônio físico e financeiro. As horas de sono perdidas para o repouso e ganhas para a vida não eram somente do empresário, mas também do ser humano preocupado com a possível ausência do convívio com certas pessoas. E, entre esses entes queridos, o mais importante era o nosso mestre e guru Genuino Sales, o iluminado que gentilmente considerou-me como possuidor de algumas características citadas no seu texto ‘Iluminados’.

Questionava-me muito como seria o Tales sem ter o Genuino ao lado e como seria o Genuino sem o Tales por perto. Estava a indagar: com quem ficará o Genuino? Eu agora já sei onde ficará o Genuino. No Farias Brito. Sei que continuaremos considerando de um a realização do outro.”

E assim foi até setembro de 2018, quando a partida de meu grande amigo e conselheiro nos privou da sua companhia. Contudo, Genuino estará sempre entre nós, assim como a sua presença durante este discurso se faz superior à sua ausência física. É o legado por ele deixado.

Hoje, ilustres diplomadas e diplomados, vocês também dão início a um legado, com tudo o que aprenderam e ensinaram até aqui e com o que vocês aprenderão e ensinarão. Nunca esqueçam que “o homem é um ser inconcluso que aprende enquanto vive e que vive enquanto aprende”, já dizia Genuino Sales.

Muitas dessas reflexões de Genuino que fazem parte do nosso processo educativo poderão ser úteis nas suas vidas profissionais que se avizinham.  

Confesso-lhes que, ao preparar esta fala, a maior dificuldade foi selecionar algumas frases do grande mestre dos mestres. Nenhuma delas merecia ser excluída, e preocupava-me a extensão do discurso. 

Mas, como ele mesmo afirmou, muitas vezes na vida “é preciso criar a ocasião”. Então, que seja esta a oportunidade, a ocasião criada para, entre outras frases dele, destacar:

“Educação se faz com talento. Não se faz sem amor.”

“Não há prêmio maior do que proporcionar a alguém abúlico a vontade de aprender.”

“O silêncio não é a negação da palavra, tampouco a palavra é a negação do silêncio. Há palavras vãs e silêncios eloquentes.”

“Só há uma coisa na vida que não podemos perder: é o tempo. Ele não volta.”

“Os que mais ouvem são os que mais compreendem.”

“Melhor do que estudar o dia todo é estudar todo dia.”

“Persuadir os ‘últimos’ a tornarem-se ‘primeiros’, com autonomia, é mais importante do que premiar os ‘primeiros’.”

“Querer é usar a vontade com autonomia para alcançar os limites da possibilidade.”

“Ver bem não é ver tudo, é ver o que os outros não veem.”

“Difícil não é escrever; difícil é encontrar alguém que leia o que a gente escreve.”

“Os que sobem por favor deixam sempre rastro de humilhação.”

“Em matéria de concordância gramatical, o bom senso há de se sobrepor à norma, uma vez que a concordância é uma questão de lógica.”

“A juventude é a fase mais formosa da vida, é a vida no seu maior esplendor. A essência de todos os seus encantos. O vaticínio da perenidade do amor entre os homens.”

Jovens bacharelas e bacharéis.

Orgulho-me de ter usufruído da amizade do Genuino. Ele também era amigo de todos vocês, ao tratá-los como filhos e amigos.

Ao valorizar a amizade, permitam-me encerrar com uma mensagem saída de Chico Xavier: “A infância passa, a juventude a segue, a velhice a substitui, a morte a recolhe. A mais bela flor do mundo perde sua beleza, mas uma amizade fiel dura para a eternidade. Viver sem amigos é morrer sem deixar lembranças.”

Na nossa Faculdade, vocês se fizeram amigos, viram várias transformações de homens, de mulheres e das coisas. Viram, inclusive, a nossa transformação para Centro Universitário, graças ao elevado nível de alunos, direção, corpo técnico, colaboradores e, principalmente, professores.

Como dizia Tancredo Neves, “não nos dispersemos”. Sigamos juntos, como recomendam os versos de Drummond: “Não nos afastemos, vamos de mãos dadas.”

Disponham do nosso Centro Universitário por toda a vida, e, como na canção de Andrew Lloyd Webber e Don Black, imortalizada pelos três tenores Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti, sejamos todos nós amigos para sempre. 

Muito obrigado.

 

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