Discursos

22/08/2015

DISCURSO NA COLAÇÃO DE GRAU FFB 2015.1

Prof. Tales de Sá Cavalcante (Diretor Superintendente da Organização Educacional Farias Brito)

Prezadas senhoras e estimados senhores, boa noite!

Nos primórdios, os seres humanos descobriram a importância da sabedoria ao observarem que os mais sábios, naturalmente, lideravam os demais. Passaram a valorizar os encontros em que os mais sábios transmitiam conhecimentos aos outros. A esse nobre ato, passaram a chamar de educação, substantivo cuja origem nos dá o significado de conduzir o aluno para fora de si mesmo, para o mundo.

E no conceito de que “educar é ensinar a criar asas”, como dizia Orlando Mota, foram criadas as escolas.

O mundo evoluiu, e, hoje, é nítida a vantagem de países com elevado nível educacional. No caso do Brasil, já apresentamos melhorias em relação ao passado, porém muito há que se fazer. Segundo Peter Drucker, “não há países subdesenvolvidos, há apenas países subadministrados”.

Em solenidades como esta, graduam-se apenas privilegiados jovens brasileiros, como os que hoje aqui comemoram a conclusão da Graduação. Outros, menos favorecidos, não tiveram as mesmas oportunidades.

Caras formandas, notáveis graduandos.

Ainda na infância, vocês iniciaram a vida escolar. Muitos jovens vivenciaram a primeira solenidade de conclusão de curso por volta dos seis, perto dos cinco anos, idade em que, segundo Freud, “toda criança é um Picasso em potencial”. Ao se alfabetizarem, vocês concluíram um dos mais belos períodos do processo ensino-aprendizagem. Com o passar dos anos, terminaram as etapas do Ensino Fundamental, percorreram o Ensino Médio, venceram o processo seletivo, popularmente conhecido como exame vestibular. Ingressaram no Curso Superior e, hoje, o concluem a contagiar este ambiente com alegria e felicidade incomensuráveis. Que os brilhos revelados em seus olhos neste momento permaneçam para sempre. Que a energia jovial, hoje sentida, também alcance a perenidade. Tal objetivo é perfeitamente atingível, uma vez que a juventude é medida pela energia e não pelos anos.

Também merecedores de nossas homenagens são todos aqueles que, por algum meio, contribuíram para esta vitória. Em primeiro lugar, mães e pais, que, ainda cedo, priorizaram a educação de seus entes queridos. Da mesma forma, namoradas, namorados, cônjuges, companheiras, companheiros, amigas e amigos e todos os profissionais envolvidos no processo ensino-aprendizagem, que, no caso de nossa Instituição, o aluno inicia no Berçário, aos quatro meses de idade, e conclui na Graduação do seu Curso Superior.

Especiais cumprimentos merecem, ainda, os professores de todos os níveis, com destaque para os de nossa Faculdade, que, por força de seu exemplar profissionalismo, permitem que nominemos esta Instituição de Faculdade Farias Brito, a faculdade da qualidade.

Um dos grandes gênios da humanidade, Sigmund Freud considerou que no exercício de três profissões se pode estar seguro de chegar a resultados insatisfatórios. São elas: a Psicanálise, a Educação e o Governo. Os psicanalistas, como seguidores de Freud, são os que mais valorizam a importância da afirmação. No caso da Educação, em nossos ambientes, a certeza de resultados nunca plenamente satisfatórios transforma o exercício dessas profissões em desafios. Assim, nossos colaboradores, professores, coordenadores, psicólogos e diretores seguem a citação de Charles Chaplin: “Que os nossos esforços desafiem as impossibilidades. Lembrai-vos de que as grandes proezas da história foram conquistas daquilo que parecia impossível.”

E o que dizer sobre os governantes brasileiros?

Com 7,7% de aprovação, o Governo Federal acompanhado de boa parte de outras administrações públicas parecem interpretar aquela citação freudiana como que predestinada à prática de quanto pior para o povo, melhor para alguns. Para Roberto Campos, “há duas formas de saber. Uma é conhecer. A outra é sentir. O tecnocrata conhece. O político sente. Um conhece os limites do possível. O outro vocaliza as angústias do necessário. E a visão de prioridades é diferente. O tecnocrata pode pensar na próxima geração. O político tem de pensar na próxima eleição. Um privilegia a análise. Outro, a intuição. Quando as duas coisas se aliam, surge o estadista, espécime raro e valioso.”

Nobres concludentes.

Entre outras coisas, o Brasil precisa de líderes raros e valiosos. Estadistas.

Amanhã, vocês darão a partida para novos tempos. Ficarão apenas na memória os agradáveis momentos vivenciados na Faculdade. Os encontros, as trocas de olhares, as conversas, os tapinhas nas costas, as tensões antecedentes às provas, os abraços e apertos de mão. Tudo isso, antes mais real que virtual, passará a ser cada vez mais digital e menos pessoal.

Em passado remoto, a humanidade descobriu e colonizou vários continentes. Segundo Kenichi Ohmae, o homem “agora está a descobrir um novo continente: a web, a Internet”. E, a exemplo de nossos antepassados, estamos a colonizá-lo. É o que a Faculdade Farias Brito faz ao possibilitar, a qualquer pessoa do mundo, uma viagem ao novo continente. O combustível do veículo a levá-la é a ideia. Por isso, chama-se FB Ideias a nova extensão de nossa Faculdade, inaugurada em 22 de maio deste ano. Lá permite-se a exploração desse novo continente. A exigência para essa viagem é uma só: a soberania da boa ideia.

Em tempos anteriores, os neoconcludentes, ao se graduarem, iam para um novo mundo. Hoje, vocês explorarão, além do mundo físico, um novo ambiente chamado de virtual ou digital, e, em qualquer de nossos 18 cursos, é impossível o exercício da profissão correspondente sem as indispensáveis viagens pelo novo continente. Agora e cada vez mais, são exigidas dos graduados competências num e noutro mundo. Uma evidência de que o mundo virtual pode construir uma realidade histórica são as atuais manifestações de rua, que antes, embora motivadas por uma boa causa, não tinham o veículo para a aglutinação dos cidadãos. Hoje, cliques movimentam multidões.

Ao desejar a todos os formandos e formandas um futuro promissor na nova vida, gostaria de, como mensagem final, dar-lhes uma sugestão. Nos momentos difíceis ou fáceis, nas alegrias ou tristezas, procurem sempre o brilho da luz. E, ao ficarem iluminados, lembrem-se do mestre dos mestres, o imortal Genuino Sales, que assim os definiu:

“Iluminados são aqueles que nunca se impacientam diante dos dissabores da vida nem se envaidecem com o esplendor da fortuna;

São os que choram sem fazer da lágrima o clamor do desespero;

São os que sorriem sem desdém e fazem do riso o acalento da alma;

São os que lutam sem pensar na morte, como se a vida fosse a eternidade;

São os que compreendem a fraqueza dos outros, na medida de suas próprias fraquezas;

São os que não odeiam nem se zangam, mesmo em face das maiores provocações;

São os que encontram na coragem o vigor supremo para o exercício da tolerância;

São os que se comprazem na simplicidade, embora dotados de grandeza e importância;

São os que nunca se intimidam na defesa da honra e da verdade;

São os que prezam a vida menos que a dignidade;

São os que anoitecem sem mágoas e amanhecem sorrindo;

São os que não invejam senão a virtude;

São os que mandam sem empáfia e ordenam sem humilhar;

São os que corrigem sem menosprezo;

São os que fazem da solidão motivo para refletir e não momentos de ruminar amarguras;

São os que tiram lição da tristeza para o alcance da alegria;

São os que toleram sem covardia e rompem sem violência;

São os que punem sem ira e disciplinam sem rancor.

São os que amam a vida e o mundo, apesar dos pesares…”

Ilustres concludentes.

A vida é linda. O mundo é lindo. Amem a vida. Amem o mundo. Ao nascer de cada aurora, desfrutem da energia que chega. Façam como os habitantes da nossa maravilhosa cidade interiorana Aurora, cujo nome tudo já diz.

Quando iluminados pelo sol, não deixem de admirá-lo, a lembrarem Picasso, quando nos ensinou: “Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.”

Prezadas graduandas. Estimados formandos.

Conduzam-se de modo que os seus semelhantes não os considerem manchas amarelas e sim um sol que os ilumina.

Muito obrigado.

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