Discursos

20/02/2016

DISCURSO NA COLAÇÃO DE GRAU FFB 2015.2

Prof. Tales de Sá Cavalcante (Diretor Superintendente da Organização Educacional Farias Brito)
 
Caro Professor Genuino Sales;
Participantes da mesa;
Autoridades aqui presentes;
Professoras e professores;
Colaboradoras e colaboradores da Faculdade Farias Brito;
Prezadas e prezados neoconcludentes;
Minhas senhoras e meus senhores, boa noite!
 
Existem memoráveis momentos numa trajetória de vida. O sábado, 20 de fevereiro de 2016, ficará para sempre na memória de cada graduando. O cenário desta Solenidade é ideal até em sua denominação. Considerado um dos grandes ícones de Fortaleza, o Clube que nos abriga e completa 85 anos em 2016 reúne tradição, beleza e aconchego. Ao enaltecer sua magnitude, o imortal Juarez Leitão define-o, em seu livro Crônicas de Amor ao Ideal Clube, como “uma casa de estilo colonial que dá um toque de majestosa reminiscência à floresta de espigões de ferro e concreto armado que a rodeiam; um descanso sereno à arquitetura agressiva da atualidade, como se fosse um alpendre sertanejo em plena Nova Iorque”.
 
A felicidade se completa por estarmos em pleno sábado, dia tão exaltado pelo grande Vinicius de Moraes. Ao lhe dedicar o notável poema “O dia da criação”, o poeta destaca o sétimo dia. E parece engrandecer esta memorável noite com estes trechos de seu poema:
 
“Hoje é sábado, amanhã é domingo
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala.
Há um renovar-se de esperanças.
Porque hoje é sábado.”
 
De forma poética, dizia-nos Vinicius que este é o dia. Eis que chega o grande momento.
 
Sábado, véspera de domingo. Dia de esperanças reativadas. Dia do presente. Nossas homenagens aos protagonistas deste espetáculo de gala, quando se equiparam esperanças antigas e novas. O sonho tão idealizado tornou-se realidade. E merecem nossas felicitações os que hoje se graduam.
 
Também dignos de congratulações são os seus apoiadores. Aqueles que sempre lhes ofereciam o ombro amigo e o sorriso contagiante, cada um no seu adequado momento. Os que lhes davam amor, o maior de todos os incentivos.
 
Estes estavam como que de mãos dadas a sonhar um sonho único. Em primeiro lugar, mães e pais, que torciam pelo alcance do dia em que aquela criancinha, tão bem-vinda ao mundo, chegasse ao grau superior. Mães e pais foram seus primeiros professores. Ministravam uma cadeira chamada Amor. Avós, avôs, irmãs, irmãos, namoradas, namorados, cônjuges, amigas e amigos, monitores dessa cadeira chamada Amor, imaginavam a felicidade de seus entes queridos neste dia. Hoje, um grande espetáculo de gala eterniza seus feitos históricos.
 
Estimadas e estimados concludentes,
Segundo Rubem Alves, “ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma, continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais”. É o caso do mestre dos mestres, Genuino Sales, imortal também pela Academia Cearense de Letras e inspirador-mor de nossos professores, outros merecedores de louvor neste ato.
 
Esses docentes muito contribuem para que façamos jus ao nosso slogan: “Faculdade Farias Brito, a faculdade da qualidade”. São os propagadores da sabedoria. Eles interagem com os discentes, inspirados em Confúcio, que, ao se dirigir a um aluno, doutrinou: “Cada verdade tem quatro cantos. Como professor, forneço um. Você deve descobrir os outros três.”
 
Merecem, ainda, reconhecimento nossos diretores, coordenadores, psicólogos e colaboradores, que também sonharam e se sentem hoje realizados. É que alunas e alunos orientados e formados pela Faculdade Farias Brito dirigem-se agora ao mundo do trabalho.
 
Esperamos nós que, doravante, seus afazeres não se resumam ao aspecto formal da atividade laboral. Sejam, portanto, dedicados à família, aos amigos, aos companheiros de trabalho, ao nosso país. O Brasil precisa de vocês, para vencermos a maior crise de nossa História contemporânea.
 
Para o professor e ex-ministro Delfim Netto, “o Brasil está no piloto automático rumo ao precipício”. Ao se interpretar a alegoria, conclui-se que o país está, na atualidade, comparável a uma aeronave numa rota arriscada em piloto automático. Se continuar para sempre sem alterações, o seu destino será um desastre de grandes proporções.
 
O economista, elogiado por suas frases de efeito, teceu, no passado, outro comentário sobre voos. Delfim pilheriou: “O que me assusta ao voar de avião é imaginar que tudo que está dentro dele foi colocado pelas empresas que ofereceram o menor preço.” Se a citação fosse feita em tempos atuais, provavelmente, o medo seria maior em caso de licitação realizada pelos envolvidos na Operação Lava Jato. A Petrobras, uma das maiores empresas do mundo, historicamente a orgulhar o Brasil e os brasileiros, atravessa dificuldades nunca antes vividas. Pessoas, sob o slogan “o petróleo é nosso”, consideraram-na apenas delas e se esqueceram de nós outros.
 
E quem salvará a Petrobras?
 
E quem salvará o Brasil?
 
Na recente aula inaugural de 2016 do IME (Instituto Militar de Engenharia), o comandante do Exército brasileiro, numa brilhante explanação, fez uma provocação: “Os militares deveriam intervir em momentos como o que vivemos atualmente?” E completou: “Não, pois uma das funções constitucionais das Forças Armadas é a garantia da legalidade.” Essa garantia o levou a declarar que promover a eventual alteração de rota desejada na citação de Delfim é função da sociedade e não dos militares. Portanto, função de todos nós. E que armas utilizaríamos? As mais poderosas: a voz, o gesto e o voto.
 
O notável antropólogo Orlando Villas Boas nos ensinou: “Na tribo, o velho é o dono da história, o adulto é o dono da aldeia e a criança é a dona do mundo.”
 
No passado, vocês, neoconcludentes, foram donos do mundo. Dominaram o Ensino Infantil, aprenderam a escrever, ler e contar. Ainda crianças, concluíram o Ensino Fundamental. Nicholas Winton, notabilizado por ter salvado 250 crianças judias pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, afirmou: “O importante não é chegar em casa de noite e dizer, passivamente: ‘Hoje, eu não fiz nada de mal’. O importante é chegar em casa e dizer: ‘Eu, hoje, fiz o bem’.” E, para o genial Albert Einstein, “a palavra ‘progresso’ não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes”.
 
São felizes as crianças brasileiras? Os homens públicos e a sociedade têm feito bem às nossas crianças? Todas elas têm a oportunidade de receber educação de qualidade?
 
Estatística recente nos diz que 84,9% dos brasileiros mais ricos concluem o Ensino Médio e apenas 36,8% dos pobres o concluem.
 
Às armas, cidadãos! Só que, desta feita, as armas não são as de 1823, usadas para a expulsão das tropas portuguesas, quando esse era o lema. Nos tempos atuais, as armas devidas são a voz, o gesto e o voto.
 
Segundo o indigenista Orlando Villas Boas, vocês, sendo adultos, dominam a aldeia. O arco, a flecha e o tacape de hoje já não são os adequados instrumentos de transformação. Estamos na era do conhecimento. Os louros da vitória já não mais são para os vitoriosos em grandes batalhas, senão para os laureados com o Prêmio Nobel da Paz.
 
Ilustres concludentes,
Vocês são os protagonistas. Façam uso das armas de hoje. A voz, o gesto e o voto. Utilizem-nas a seguir Martin Luther King na voz, Gandhi no gesto e, no voto, acompanhem Rousseau, ao citar Aristóteles e considerar o homem um animal político.
 
A Faculdade Farias Brito deseja a todos os formandos e formandas uma mensagem, não de adeus, senão de até breve. Afinal, cada um dos homenageados conquistou e guarda consigo pedacinhos da Faculdade Farias Brito.
 
O tempo transcorreu rápido. De repente, vocês passaram de crianças, donas do mundo, para jovens adultos, donos da aldeia. No futuro, talvez de cabelos brancos, serão donos da história. E, para serem donos de uma História com H maiúsculo, pratiquem intensamente a cidadania em cada segundo de sua maravilhosa vida. Contem histórias para seus seguidores, quer familiares, quer profissionais, pois, para Jean Vanier, “quando contamos histórias, tocamos corações”.
 
Deixem um legado. Façam com que seus seguidores, crianças, adultos ou idosos, usufruam, com orgulho, do bem mais precioso que vocês poderiam deixar: o conhecimento. Construam a própria História de modo que ela seja mais dos outros do que sua. E, neste magno momento, parte dela se faz aqui, nesta varanda de sertão, em meio a espigões. Este é o dia da criação. O futuro os reconhecerá como os donos da História, pois sua voz, seu gesto e seu voto fizeram, fazem e farão uma bela História.
 
Muito obrigado!
 

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