Discursos

06/08/2016

DISCURSO PROFERIDO NA COLAÇÃO DE GRAU FFB 2016.1

Prof. Tales de Sá Cavalcante (Diretor Superintendente da Organização Educacional Farias Brito)

CLIQUE PARA ASSISTIR AO DISCURSO EM VÍDEO.

 

Caro Professor Genuino Sales, o mestre dos mestres, em nome de quem saúdo todos os participantes da mesa;

Autoridades aqui presentes;

Colaboradoras e colaboradores da Faculdade Farias Brito;

Prezadas e prezados neoconcludentes;

Senhoras e senhores,

Boa noite!

A Faculdade Farias Brito sente-se honrada ao promover a solenidade de Graduação de quatro dos seus vinte cursos.

Estes brilhantes jovens, agora graduados, talvez estejam aptos à aceitação de sábios conselhos para a nova vida. E numa noite como esta, em que grandes sonhos foram realizados, justo seria que mais sonhos aflorassem. Imaginemos, portanto, que grandes gênios da humanidade aqui estivessem, e ainda na incrível possibilidade de se transformarem em conselheiros destes ilustres concludentes para o exercício profissional.

Seria um privilégio para todos nós receber, neste primoroso ambiente, notáveis expoentes da gestão. Peter Drucker, a conversar com os formandos, em especial os novos administradores e gestores de Recursos Humanos. Steve Jobs, na companhia de Einstein, a aconselhar os neocientistas da Computação. Clóvis Beviláqua, a cuidar dos bacharéis em Direito, na companhia de Sócrates, aquele que, segundo Cícero, transferiu a Filosofia do céu para a terra. Que belos conselhos seriam dados. Ao usar a linguagem dos jovens, poderíamos dizer que “só rolaria papo cabeça”.

Steve Jobs, por exemplo, poderia repetir: “Eu trocaria toda a minha tecnologia por uma tarde com Sócrates.” Teria ele toda esta noite para ouvir de Sócrates, entre outros ensinamentos: “Só sei que nada sei.” E, como conselho para toda a vida destes neoconcludentes, Sócrates também diria: “Quem tem consciência de seu não saber é mais sábio do que aquele que acredita saber tudo.” Ao se dirigir em especial aos que pretendem exercer a magistratura, ele provavelmente diria: “Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente.”

Talvez o grande jurista Clóvis Beviláqua, ao conversar com seus novos companheiros do Direito, repetisse sua frase: “A inteligência irmanada com a força de vontade e com a esperança produz uma ideia.” E Einstein completaria a afirmar: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.”

Peter Drucker poderia conceder aos graduandos uma tábua com os quatro mandamentos do líder, quais sejam:

Primeiro: Autodisciplina para ouvir.

Segundo: Disposição para se comunicar e se fazer compreender.

Terceiro: Coragem para assumir responsabilidades e não procurar desculpas.

Quarto: Imparcialidade para considerar os objetivos da organização acima dos próprios.

Drucker talvez reafirmasse que “uma coisa comum entre todas as organizações é a crise. Ela é inevitável. E é durante as crises que mais se depende do líder.” Ele citava Churchill como um “exemplo vívido de alguém que crescia sob intensa pressão e o líder mais bem-sucedido do século vinte.” E Churchill dizia ser surpreendente em Drucker sua capacidade de desencadear em nossas mentes uma linha de pensamento instigante.

Senhoras e senhores.

Estamos todos nós a homenagear estes ilustres jovens no momento em que recebem a outorga de grau do Ensino Superior. Outros também merecem nossas homenagens. Em primeiro lugar, suas mães e seus pais. Eles decidiram que os filhos seriam gerados e educados para brilharem. Focaram em seu brilho, e, aqui, estão as estrelas a iniciarem uma trajetória que abre caminho para outros brilharem. Nossos parabéns a todos que contribuíram para essa vitória com o seu apoio. Professoras e professores de ontem e de hoje, avós, avôs, irmãs, irmãos, madrinhas, padrinhos, cônjuges, namoradas, namorados, amigas e amigos igualmente merecem nossas congratulações por sua dedicação.

Homenageamos, ainda, diretores, coordenadores, psicóloga e os demais colaboradores, que fazem cumprir diuturnamente, de forma uníssona, o nosso slogan: FACULDADE FARIAS BRITO, A FACULDADE DA QUALIDADE. Assim, atingem o objetivo ora comprovado. Também merecem felicitações os notáveis professores da Faculdade Farias Brito. Estes, ao lidarem com jovens aprendizes, sob orientação do mestre dos mestres, Genuino Sales, seguem suas máximas, entre elas: “A juventude é a fase mais formosa da vida. É a vida no seu maior esplendor. A essência de todos os seus encantos.”

E o GENU de Pedro Segundo, no interior do Piauí, utiliza sua imortalidade da Academia Cearense de Letras para, com o latim, universalizar a expressão “céu e terra” como “coelum et terram”. O sábio Genuino, como genuinamente sábio, nos ensina: “É preciso ouvir… ouvir… ouvir coelum et terram para, certamente, compreender e, finalmente, amar.”

Prezadas formandas, estimados graduandos.

Uma nova fase da vida os espera. Graduação pede cidadania. Vivemos uma inédita situação em que a Presidente da República está afastada. O Vice-Presidente passou a liderar o Poder Executivo provisoriamente e, apesar de grande chance de efetivação, governa na interinidade. O ex-Presidente da Câmara dos Deputados foi afastado do exercício do cargo e, em seguida, renunciou. Foi eleito seu substituto, com mandato até fevereiro de 2017. O Presidente do Senado está denunciado pelo Procurador-Geral da República.

O Brasil passa pelo maior escândalo de corrupção e por uma das maiores crises financeiras de nossa história. São alarmantes os índices de desemprego. Muitos homens públicos ficam a dizer o indizível. Isso nos lembra o escritor francês Montaigne, quando nos ensinou: “Ninguém está livre de dizer coisas estúpidas, o ruim é dizê-las com ênfase.” E o pior: estamos imersos também numa crise moral. A pior delas.

A economista Maria Silvia Bastos, atual presidente do BNDES, defende que o Brasil necessita de reformas significativas e afirmou: “Não acredito em mudanças que venham do governo. A sociedade é que deve fazer as mudanças.”

Neste magno momento de comemorações e reflexões, talvez devamos decidir: é hora de iniciar a caminhada para o progresso da nação. E, desta feita, a se falar de flores, devemos entoar Geraldo Vandré, quando, ao reagir ao arbítrio da época, evocou:

 

“Vem, vamos embora, que esperar não é fazer.

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

 

Estimadas e estimados concludentes.

Já graduados e no exercício da profissão, vocês terão mais tempo e maturidade para transformarem nossa nação. Venham, vamos embora. Vocês não são de esperar, e sim de fazer. Como vocês não esperam a hora, façam acontecer. Em tempos de Olimpíadas, vale lembrar o pai dos Jogos Olímpicos da era moderna, Barão Pierre de Coubertin, quando atestou: “O que importa na vida não é tanto o triunfo, mas a disputa; o essencial não é ter vencido, mas ter lutado bem.”

Segundo o Presidente do Conselho da Endeavor Fábio Barbosa, “o Brasil precisa de reforma de valores. E a nação consiste num somatório de nossas atitudes e omissões. Nosso país não deixou um Brasil melhor para nossos filhos, mas deixou filhos melhores para mudar o Brasil.” Barbosa citou o grande filósofo Ralph Waldo Emerson ao expressar o desejo de que, numa conversa entre brasileiros, disséssemos sempre um ao outro: “Suas atitudes falam tão alto que eu não consigo ouvir o que você diz.” Ao se falar para graduados, vale lembrar outra frase de Emerson: “As pessoas inteligentes têm um direito sobre as ignorantes: o direito de instruí-las.”

É disto que precisamos: atitude. O Brasil não é dos políticos. É nosso. Os homens públicos são apenas nossos representantes e, como tais, eles devem receber orientação dos representados. E como melhorar o nível do poder decisório? Como manter os bons e afastar os maus?

A solução é escolher bem. E, para que a população possa votar nos melhores, só há uma solução. A educação. Somente por ela é que o homem adquire valores e conhecimento. É ela que liberta e cria oportunidades iguais para todos.

Honradas e honrados formandos.

A Faculdade Farias Brito começa a acenar-lhes, não com um “Adeus”, senão com um “Até breve”. Façam com que essa sólida amizade de hoje entre vocês perdure para sempre. Todos os seus momentos em nossos espaços de convivência passaram a ser históricos e inesquecíveis. A FFB continua de vocês. Usem. Abusem. Vocês merecem.

Ao finalizar, gostaria de lhes confessar uma grande dificuldade sentida para expressar palavras finais. Afinal, mesmo um “Até breve” possui a dor da separação física entre vocês e todos os que fazem nossa Faculdade. Fui abatido, talvez, por um sentimento análogo ao do Príncipe dos Poetas Cearenses, Arthur Eduardo Benevides, quando o expressou em um de seus versos:

 

“Andei, andei, andei

Andei, andei, andei tanto

E hoje me sento neste banco

Sem saber se já cheguei!”

 

E então descobri que o sentimento era a expressão de toda a FFB a sentir que vocês estavam indo. E me lembrei das palavras de Patativa do Assaré, que vocês devem considerá-las como ditas por nós da Faculdade Farias Brito.

 

“Saudade dentro do peito

É qual fogo de monturo

Por fora tudo perfeito,

Por dentro fazendo furo.

 

Há dor que mata a pessoa

Sem dó e sem piedade,

Porém não há dor que doa

Como a dor de uma saudade.

 

Saudade é um aperreio

Pra quem na vida gozou,

É um grande saco cheio

Daquilo que já passou.

 

Saudade é canto magoado

No coração de quem sente

É como a voz do passado

Ecoando no presente.

 

A saudade é jardineira

Que planta em peito qualquer

Quando ela planta cegueira

No coração da mulher,

Fica tal qual a frieira

Quanto mais coça mais quer.”

 

Até breve. Tudo de bom. Um abraço, com votos de sucesso.

Muito obrigado!

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