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12/01/2022

DAI À CIÊNCIA O QUE É DA CIÊNCIA

Professor Tales M. de Sá Cavalcante.

O Povo. 12/01/2022 (quarta-feira).

tales@fariasbrito.com.br

A minha experiência em Educação evidencia jovens que se destacam quer como estudantes, quer como profissionais. É alto o índice de conhecimento e inteligência nos médicos. Talvez por isso, meu pai, Ari de Sá Cavalcante, grande admirador dos detentores de cérebros brilhantes, adorasse um papo-cabeça que havia sempre no SOS, hospital particular já extinto, que possuía, à época, os cardeais da Medicina. É que a elevada aprendizagem em algumas conversas nos dá a sensação de estarmos numa aula.

Uma delas se deu com o grande psiquiatra, psicanalista e voraz leitor Antônio Miranda. Ao cumprimentá-lo pela aurora de 2022, aprendi mais uma ao dele ouvir: “Que tal, em vez de ‘feliz Ano Novo’, você dizer ‘faça, ou então construa, um bom ano’?”

São inúmeros os benefícios proporcionados pelos imunizantes desde 1796, e, a seguir Miranda, sugiro que façamos de 2022 o ano da vacina contra a Covid-19.

Imaginemo-nos, em bons tempos, numa decisão entre Fortaleza e Ceará no Castelão lotado. De repente, surge um indivíduo com uma potente arma apontada para a torcida, com intenção de atirar indiscriminadamente. Sem dúvida, a polícia tentaria evitar o assassínio em massa, e a Justiça o condenaria.

Suponhamos agora que um adulto de boa formação, sabedor da gravidade da pandemia e da eficácia das vacinas comprovada pelos cientistas, rejeite-as em si próprio e ainda estimule pessoas a imitá-lo. Em razão de seu negacionismo, não tem os devidos cuidados e, por não os ter, talvez contraia a Covid-19. A conviver com outros, poderia passar-lhes uma doença letal, e estes a transmitiriam aos que, por sua vez, a levariam a mais gente, e assim sucessivamente.

Guardadas as proporções, será que apenas o 1º indivíduo por nós imaginado está errado enquanto o 2º não? No momento, terá alguém o direito de aceitar ou rejeitar a aplicação do imunizante? A meu juízo, só o teria se o eventual mal atingisse somente a ele, como a má escolha entre duas refeições, uma com alimentos nocivos e outra saudável ao seu organismo. No caso da vacina contra o coronavírus, a ação não se dá individualmente, porque objetiva evitar o contágio em outros.

Segundo a Fiocruz, o SUS ultrapassa 36 mil salas de vacinação e supera, anualmente, a marca de 300 milhões de doses de imunizantes de 27 tipos. E há ainda aqueles de cunho especial, aplicados em centros de referência. Por que então não vacinarmos em massa contra uma enfermidade que já levou à morte mais de 620 mil brasileiros? Perguntemos aos competentes na área, os médicos e cientistas.

Negar a ciência significa o absurdo de alterar os currículos de todas as entidades de ensino, básico e superior, de modo a suprimir as disciplinas e áreas de estudo ligadas ao conhecimento científico. É pela afirmação da ciência, e não por sua negação, que os países se desenvolvem.

Na pandemia, brotaram muitos a considerarem-se “médicos”, embora nunca tenham estudado Medicina. Cristo nos ensinou: “Dai a César o que é de César.” Que a população e os governantes deliberem: Dai aos médicos e cientistas o que é dos médicos e cientistas.

 

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