Artigos

23/09/2021

O CANTO, A COR E O SOL A SORRIR

Professor Tales M. de Sá Cavalcante.

O Povo. 23/09/2021 (quinta-feira).
tales@fariasbrito.com.br

À frente, o mar, que deveria ser feminino, como em francês, “la mer”, visto que a beleza feminina, por ser escultural, suplanta a masculina. À direita e à esquerda, só praia. Atrás, apenas dunas. Acima, o astro-rei, digno da música “O sole mio”. São belezas naturais a compor um lindo lugar, com recente aparição nos mapas e seculares encantos da Natureza.

Cada um tem o canto predileto e a cor preferida. Meu canto é duplo: praia e mar. Há tempos, escolhi a cor. É a da esperança, verde. Com os cabelos já a agrisalhar, descobri que “tales” em grego significa “verdejante”. Coincidência ou não, o lugar de que mais gosto chama-se Prainha do Canto Verde. Seria Paris, mas chega-se cá, e não lá, em 1h30min, a trajar bermuda e camiseta, sem passaporte e sem a burocracia dos aeroportos. Lá, palco do Iluminismo, e por isso Cidade-Luz, aprendemos a ciência e a filosofia com os iluminados. E cá recebemos lições empíricas de inocentes nativos, que tanto têm a nos ensinar.

Washington Olivetto, notável publicitário e gourmet, por prazer, ao defender o bom gosto em “Só os patetas jantam mal na Disney”, indica um restaurante que possui barcos próprios a garantir o peixe fresco e outro que sugere a sua degustação em balcão próximo à cozinha, a evitar perda do sabor no trajeto até a mesa. Na Prainha do Canto Verde, o pescado é sempre o adequado, pois adquirido na bucólica chegada da jangada.

A completar as coincidências, pouco antes da elaboração deste texto, recebi gentil remessa de Luciano Dídimo, meu confrade da Academia Fortalezense de Letras. Tratava-se de precioso poema do seu saudoso pai, Horácio Dídimo, a comprovar sua imortalidade acadêmica.

Emergia da pena do poeta:

“Sol / um sol maior / sorriu de leve / no meu enfim / mais do que nunca / mil vezes mil / sinto que sim / festejemos / eu festejemos / eu somos dois / morreu o antes / e agora é verde / como um depois.”

Lamento não mais ser possível festejar com Horácio a notoriedade desse poema na companhia do mar, da praia, das dunas e do sol. Conforta-me o sentido de sua estrofe final: “morreu o antes / e agora é verde / como um depois.”

 

Veja mais

12/01/2022
( Professor Tales M. de Sá Cavalcante. )
18/12/2021
( Professor Tales M. de Sá Cavalcante. )
16/12/2021
( Professor Tales M. de Sá Cavalcante. )
25/11/2021
( Professor Tales M. de Sá Cavalcante. )
18/11/2021
( Professor Tales M. de Sá Cavalcante. )